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OAB lança ferramenta gratuita para identificar erros e referências falsas em documentos jurídicos produzidos com IA

  • Foto do escritor: Nogueira & Pinheiro Advogados Associados
    Nogueira & Pinheiro Advogados Associados
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Desenvolvido em parceria com a Forlex, o OpenDetector analisa petições, pareceres e pesquisas e sinaliza citações falsas, referências inexistentes, alucinações e tentativas de manipulação de sistemas de inteligência artificial.



O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil lançou o OpenDetector, ferramenta gratuita destinada à verificação de documentos jurídicos elaborados com o auxílio de inteligência artificial.


A plataforma foi apresentada no dia 13 de julho e está disponível para advogados e advogadas regularmente inscritos na OAB. A iniciativa inaugura o Programa Nacional de Soluções Tecnológicas para a Advocacia e representa a primeira entrega do Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia.


Segundo a OAB, o objetivo é identificar inconsistências capazes de comprometer a confiabilidade do documento, como dispositivos legais inexistentes, precedentes judiciais incorretos e citações que não possuem correspondência nas bases oficiais.


Como funciona o OpenDetector


O usuário pode copiar o conteúdo diretamente para a plataforma ou enviar um arquivo nos formatos PDF, DOCX, TXT, HTML ou MD. A página da ferramenta também disponibiliza um campo para análise de textos com até 32 mil caracteres.


Após o envio, o sistema examina o documento e apresenta um relatório com os problemas identificados. Cada ocorrência pode ser acompanhada da respectiva classificação, do grau de gravidade, da indicação do trecho questionado e de uma sugestão de correção.


Entre os riscos verificados estão citações ou jurisprudências falsas, informações sem suporte, alucinações produzidas por modelos generativos, comandos destinados a contornar as restrições do sistema — prática conhecida como jailbreak — e casos de prompt injection.


Prompt Injection


A chamada injeção de comandos (ou prompt injection) ocorre quando um documento contém instruções dirigidas à inteligência artificial que fará a sua leitura, mas que podem passar despercebidas pelo destinatário humano.  Essas instruções podem permanecer ocultas no conteúdo e induzir o sistema a ignorar regras de segurança, revelar informações ou produzir uma resposta manipulada.


Texto oculto em documentos (como branco sobre branco), fontes de tamanho microscópico, imagens camufladas, manipulação de metadados e uso de caracteres Unicode são algumas das estratégias utilizadas nessa prática.


O tema também foi objeto da Manifestação Técnica CNIAJ nº 1/2026, elaborada no âmbito do Conselho Nacional de Justiça, que trata da necessidade de medidas destinadas à prevenção e à mitigação de ataques por injeção de comandos em sistemas judiciais de inteligência artificial.


Esse tipo de manipulação, contudo, não é o único risco associado ao uso dessas ferramentas. Mesmo sem interferência externa, os sistemas podem gerar informações falsas com aparência de conteúdo verdadeiro.


Alucinações representam risco para a prática jurídica


Sistemas de inteligência artificial generativa podem apresentar respostas incorretas ou inteiramente inventadas com aparência de veracidade. Esse fenômeno, conhecido como “alucinação”, pode envolver números de processos inexistentes, trechos de julgados que nunca foram proferidos, dispositivos legais incorretos e referências bibliográficas fictícias.


Na advocacia, o problema assume especial gravidade porque a informação produzida pela ferramenta pode ser incorporada a uma petição e apresentada ao Poder Judiciário como fundamento jurídico verdadeiro.


Em abril de 2026, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça afastou de uma ação penal um relatório elaborado com ferramentas de inteligência artificial generativa. O colegiado concluiu que o documento não possuía confiabilidade epistêmica mínima para ser utilizado como prova, especialmente porque contrariava o resultado de uma perícia oficial e não apresentava fundamentação técnico-científica adequada.


Para o STJ, um dos riscos inerentes à utilização de IA generativa é justamente a produção de informações imprecisas ou fabricadas, mas apresentadas de maneira aparentemente confiável. O caso demonstra que a adoção dessas tecnologias não elimina a necessidade de conferência humana, análise técnica e identificação das fontes utilizadas.


Iniciativa integra política nacional da OAB


O OpenDetector é a primeira entrega do Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia, criado pela OAB para orientar a incorporação dessas tecnologias à atividade profissional.


O plano foi estruturado em cinco eixos relacionados à governança, capacitação, modernização dos serviços da Ordem, defesa das prerrogativas profissionais e inclusão tecnológica. Também prevê novas parcerias para a disponibilização de soluções voltadas à pesquisa jurídica, gestão de escritórios, automação, segurança da informação e produtividade.


De acordo com o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, a inteligência artificial já integra a rotina da advocacia e exige respostas institucionais capazes de conciliar inovação, segurança jurídica e ética profissional.


A OAB informa que o OpenDetector está disponível gratuitamente para profissionais regularmente inscritos na instituição. O acesso é realizado por meio da plataforma mantida pela Forlex.


LEMBRE-SE: a análise automatizada não representa uma certificação definitiva da correção do documento nem afasta a necessidade de que o advogado confira as fontes, examine os resultados e revise integralmente o conteúdo antes de utilizá-lo profissionalmente.



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